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Ausonia Bernardes
UNI Río de Janeiro, Brazil
Email: ausonia@alternex.com.br
O Palhaço na Folia de Reis: ponto de encontro da performance afro-brasileira
I. Introdução
Estudando as Folias de Reis, realizadas no interior do estado do Rio de
Janeiro (Brasil) nos municípios de Rio das Flores e Valença,
como também nos bairros populares da cidade do Rio de Janeiro (favelas
da Mangueira e Campo Grande), encontramos rastros de culturas tradicionais,
repletos de significados e rituais que falam dos valores da sociedade
colonialista brasileira de outros tempos. Essa manifestação
dramática e festiva da cultura popular brasileira, que acontece
em muitas regiões na época natalina, apresenta aspectos
religiosos, ao lado de brincadeiras e comemorações típicas
dos festejos populares, e basicamente se transforma num espaço
onde seus participantes resgatam suas tradições.
Esses festejos hoje já inseridos no ambiente urbano, em contato
com elementos da modernidade, proporcionam aos seus foliões a oportunidade
de se socializarem e preservarem suas identidades, com práticas
que aparentemente reproduzem a tradição, mas que antes de
tudo integram-se aos vários sistemas da sociedade global. Os grupos
de Folias de Reis, remanescentes dessas sociedades camponesas, procurando
suas referências comunitárias, de muitos anos de história,
entraram nesse embate. Luta que será melhor dimensionada quando
sabemos que no Brasil os dados sobre a relação demográfica
entre campo e cidade se inverteram nos últimos 25 anos e hoje 70%
da população vive em cidades.
Mas, principalmente, a festa popular da Folia de Reis, herança
do calendário cristão e das tradições ibéricas
aqui aportadas pelos portugueses, desafia-nos até hoje a entender
suas expressões, como um conjunto de estratégias de sobrevivência
das culturas hibridizadas no Brasil: são os valores, matrizes ritualísticas,
filosofias que se constituem nossas heranças do encontro histórico
entre os primeiros colonizadores portugueses, os negros escravos vindo
da África, e os índios que habitavam a terra brasilis .
Apesar de muitos estudiosos afirmarem a tradição da Folia
de Reis como uma das muitas heranças portuguesas, sabemos que as
festas religiosas católicas no Brasil foram marcadas pela participação
dos negros africanos, na medida em que a sociedade colonial se sustentava
da mão de obra dos escravos africanos e que, de muitas formas,
estas interações culturais foram se dando ao longo de quase
quatro séculos de colonização.
Com José Jorge de Carvalho (2000) vimos que as estratégias
de sobrevivência podem ser apontadas através dos festejos
populares, pois há algo no folclore que ainda não se perdeu:
ainda funciona como um núcleo simbólico para expressar um
certo tipo de sentimento, de convívio social e de visão
de mundo.
E é através da festa religiosa da Folia de Reis que encontramos
esse registro, permitindo-nos penetrar na essência destes encontros
culturais. Conforme Duvignaud (1983), "a festa permite às
pessoas e coletividades sobrepujarem a normalidade e chegarem ao estado
onde tudo se torna possível porque o indivíduo completa
sua experiência, formulada ou não. O que está por
trás de toda festa é a oportunidade de nos aproximarmos
do primordial, da natureza que se advinha por trás de qualquer
explicação ou raciocínio".
Procuramos na performance conjunta da Folia destacar o palhaço,
que movimentando-se com passos leves e giros acrobáticos, de máscara
negra e simbolizando a morte, expressa o riso e a transgressão.
Na tradição cristã, a presença dos palhaços
na Folia de Reis, representa os soldados ou o próprio rei da Judéia,
Herodes, que disfarçadamente acompanham os reis magos Gaspar, Belchior
e Baltazar, e tentam chegar até Belém, lugar desconhecido
do nascimento de Jesus, com a finalidade de eliminá-lo.
Mas observar a performance do palhaço da Folia de Reis é
questionar os sinais das culturas africanas em sua capacidade de jogar
e usar o corpo enquanto um instrumento de expressão dramática.
É que muitas vezes na cultura negra, as danças adquirem
um sentido de luta: coreografias, gestos e movimentos abrem passagens.
No palhaço da Folia, a idéia de transformação
que ele maliciosamente institui é fundamental e nesta concepção
todas as relações manifestam-se através do seu corpo.
Com a sua chula, a "jogação" de versos e movimentos,
é determinante sua atitude transgressora, lúdica e atemporal.
Com a performance do palhaço da Folia, que resiste e brinca com
o sagrado, a cultura dominante e a dominada, dá-se um novo sentido,
que nos faz refletir sobre os aspectos fundamentais da apropriação
e ressignificação da cultura afro-brasileira.
Nas Folias, os palhaços são os responsáveis pelos
momentos de prazer e emoção, quando assustam as crianças
e divertem os adultos com seus versos irreverentes e críticos.
Ao fim da recitação das profecias, os palhaços, acompanhados
dos instrumentos musicais, iniciam sua performance com o recitativo das
chulas, e suas danças acrobáticas. Eles seguem improvisando
versos, com métrica e rima definidos, usando como temas alguns
velhos romances tradicionais, histórias bíblicas e sobretudo
assuntos do momento, fazendo crítica aos costumes e improvisando
palavras e gestos, naquele instante mesmo em que o fato esteja ocorrendo
na comunidade que os recebe.
Existem entre a festa e o jogo, naturalmente, as mais estreitas relações.
Ambos implicam uma eliminação da vida cotidiana. Em ambos
predomina a alegria, embora não necessariamente, pois também
a festa pode ser algo bem sério. Observando os aspectos lúdicos
e a improvisação dramática do Palhaço da Folia,
queremos compreender os aspectos sacro-profanos das Folias, e, por que
inserir o palhaço da Folia, nas tradições afro-americanas,
caracterizando-o enquanto mensageiro, transformador, entre os dois mundos,
tênue limite na sacralidade do cotidiano .
II A performance africana: matrizes
e ressignificados
"Como afirmei anteriormente, atividades cotidianas como certa forma
de caminhar, a roupa que se usa e um sem-número de elementos adicionais
(óculos, bonés, relógios e pulseiras ) se transformam
em fortes enunciados visuais que transmitem significados sobre o indivíduo.
Isso se percebe claramente na importância da roupa e acessórios
nos mundos do hip hop americano(Hager, 1984), do black Rio (Vianna,1938),
ou na importância que os jovens baianos dão ao que chamam
de o "visual"." (Frigério,1992 p.11)
Segundo Zeca Ligièro(2000), Rugendas,
Debret, Martius, Spix, Agassis e Freyress, em meados do século
XIX, confirmam a herança africana através de um valioso
material pictográfico, onde registraram a progressiva invasão
das formas africanas de celebração nas principais festas
da cidade do Rio de Janeiro; estes relatos davam conta de como estas contribuições
eram surpreendentemente diferentes, exóticas e exuberantes. Rugendas
(1989) se refere com admiração á capacidade que tinham
os negros escravos de se recuperarem do dia intensivo de trabalhos e que
os "mais barulhentos prazeres produzem sobre o negro o mesmo efeito
que o repouso". Seu relato e desenhos, documentam as danças
dos escravos africanos no Brasil em meados do séc XIX: o batuque,
o lundu, a dança militar, e a capoeira.
Estudando as performances afro-brasileiras, Zeca Ligièro (2000)
considera a partir dos anos 70 os estudos africanos nas Américas,
já influenciados pelas teses pioneiras de Robert Farris Thompson
em suas obras The Four Moments of the Sun (1981) e Flash of the Spirit
(1983). O autor analisa as pesquisas sobre as civilizações
africanas e suas influências nas tradições estéticas
e filosóficas dos povos das Américas, o que tem contribuído
com teorias fundamentais para o entendimento da performance afro-brasileira
que se apresenta balanceada entre as influências bantos e sudanesas.
Aponta-se para a impossibilidade de analisar a performance africana enfocando
separadamente "o batuque, o canto e a dança ". O toque
do atabaque é uma linguagem espiritual que se articula, e o cantar
é percebido como a interpretação dessa linguagem
para a comunidade naquele instante mesmo em que se realiza. E dançar
seria a "aceitação das mensagens propagadas" através
de nosso próprio corpo, bem como o encontro dos membros da comunidade
nas celebrações conjuntas, sob o perfeito equilíbrio
(Kinenga) da vida. Assim, o "batucar-cantar-dançar",
palavras chave da música e do divertimento, permite que o círculo
social quebrado seja religado (religare), de forma a fazer a energia fluir
novamente entre os vivos e mortos. Além de constituir um sentido
"amarrado" indivisível e que se completa como um continum.
Essas contribuições vêm se somar à proposta
de Alejando Frigério (1992), que ressalta a importância geradora
de princípios gramaticais inconscientes, valores que sustentam
e marcam o comportamento, similares na canção, na arte gráfica,
nos hábitos motores, que permaneceram nas manifestações
culturais afro-americanas. Neste sentido Frigério define seis qualidades
da performance artística afro-americana: 1) ela é multidimensional,
ocorrendo em vários níveis sucessivos, a exemplo da capoeira,
que funde os elementos luta, dança, música, jogo, canto,
ritual, teatro, mímica; 2) ela tem uma qualidade participativa.
Público e performer se relacionam, construindo uma linha tênue
entre o artista e a platéia; 3) ela é onipresença
na vida cotidiana, isto é, não existe rígida separação
entre situações de representação e a vida;
4) ela é coloquial, estabelecendo-se na interação
entre o solista e o coro, entre os tambores que devem dialogar, entre
o solista e a resposta instrumental que realça as frases do solista,
entre o dançarino e o tambor; 5) ela afirma o estilo pessoal, pois
espera-se que o artista tenha um estilo próprio;. 6) a última
das características é que a performance afro-americana cumpre
funções sociais - sendo possível destacar seu papel
socializador e aglutinador, na medida em que estas performances são
sempre realizadas pela comunidade. Com a participação interativa
entre artistas e público, o grupo se reconhece como um todo, e
consegue expressar seus conflitos através das canções,
do gestual e das pantomimas. Agindo como um elo entre o indivíduo
e a comunidade, na medida em que integra os interesses artísticos
e sociais desse grupo. Este é uma dos elementos que influi para
que a performance artística seja fundamental e constante em todas
as associações comunitárias negras que surgiram nas
Américas; como sabemos, essas associações cumpriram
ao mesmo tempo funções religiosas, comunitárias e
recreativas, sob a forma de cabildos, irmandades, agremiacões,
conseguindo agenciar e promover a cultura negra.
É importante pensar com Frigério que várias desses
aspectos são comuns a muitas manifestações culturais
de outras sociedades, mas é o conjunto dessas características
que reunidos dão o caráter único da performance artistíca
afro-americana, que se deriva especificadamente dos povos do Oeste e do
Centro da África: Congo e Angola, pertencentes ao grupo lingüístico
banto.
III. A performance afro-americana e
o gestual do palhaço: novos sentidos e apropriações
"Outra dança negra muito conhecida é o "lundu",
também dançada pelos portugueses, ao som do violão,
por um ou mais pares. Talvez o "fandango" ou o "bolero",
dos espanhóis, não passem de uma imitação
aperfeiçoada dessa dança". Rugendas, 1989, p 157
O palhaço participa com muitas
restrições no jornada da Folia: seu espaço é
diferenciado dos outros foliões, ele não pode passar à
frente do cortejo e da bandeira, não pode entrar nas casas visitadas
enquanto as profecias são cantadas, e nunca entoar os cânticos
sagrados. Mas o palhaço é o responsável pela chula.
Na chula, ele brinca, faz versos rimados e se movimenta, executando danças,
acrobacias e tomando a rua como senhor e dono. Diferencia-se também
por suas roupas e adereços, além de usar uma máscara
negra e terrível. Mas dançando ele circula por outros espaços,
e é a figura dual, atravessando sem cerimônias a passagem
entre o sacro, quando respeitosamente acompanha a bandeira e o cortejo,
para em seguida correr, saltar e instigar crianças e adultos, provocando
maldosamente quem quer que passe.
Carlos Rodrigues Brandão (1977), estudando as Folias de Mossâmedes,
no interior do estado de Góias, explica que o palhaço para
ganhar alguma coisa, em geral dinheiro, se oferece para "dançar
um lundu". Ao som de uma sanfona, o palhaço faz uma alegre
coreografia abraçado com um grande facão de madeira que
traz consigo. E em outra citação, quando o palhaço
tira a coroa do "festeiro novo", imediatamente ele dança
com ela um lundu.
Esta referência, além da citação de Rugendas
(1989), aponta para a tradição dessa dança entre
os africanos escravos no Brasil. Dança inicialmente considerada
sacra, compunha o ritual que antecedia o casamento e estimulava o sentido
da fertilidade, simulando o ato sexual. Logo ao ser incorporada às
festas religiosas passa a ser simplificada, e provavelmente temos ainda
hoje os movimentos da umbigada, que subsiste como representação
simbólica da atração entre os corpos, e a capacidade
de reprodução da espécie.
Ao entrevistar os palhaços de algumas Folias do estado do Rio de
Janeiro, notadamente na região citada na Introdução
deste trabalho, não encontramos nenhuma referência à
prática do lundu. Com base nesses depoimentos, constatamos que
todos desconheciam algum tipo de dança tradicional, ligada à
Folia de Reis; mas, constatamos de uma maneira geral que muitos palhaços
praticam capoeira, muitos dançam break, forró, axé
e pagode, e se sentem muito livres em se apropriar de qualquer estilo
de movimento e incorporar à chula. O que pudemos compreender é
que estes palhaços têm autonomia frente ao conhecimento e
liberdade para incorporar quaisquer qualidades de movimento ao seu repertório
de passos e gestos, ao seu rito da chula na Folia de Reis.
Segue-se uma relação dos movimentos, gestos e passos executados
pelos palhaços das Folias observadas:
Pulos, de um pé, de um pé para outro, nos dois pés,
abrindo e fechando pernas, abrindo e cruzando pernas, pulando com uma
perna e girando no eixo; saltos sobre o bastão; mímica como
um velho apoiado no bastão, combinados de voltas com bastão;
giros, saltos com cambalhotas, salto mortal, cambalhotas para frente e
para trás; parada de mão ou bananeira, andando com a parada
de mão, combinado com pegar o dinheiro com a boca; quedas, rolamentos,
arrastados pelo chão, flexões de joelho e pequenos balanços,
com uma perna apoiada no chão e a outra pisando ritmada para frente
e para trás; aú ou estrela, em dupla fazendo cambalhotas
no dorso do corpo do outro, de bruço deitado e usando o apoio dos
braços e se arrastando no chão; salto mortal; subida nos
ombros do outro; saltos com cambalhota; puladinho chamado na região
de Valença: de "tico-tico".
Conclusão
Figura ambivalente e atualizadora das Folias de Reis, o palhaço
é o marco referencial de um encontro de culturas, de momentos históricos,
de deslocamentos de espaços sociais. Lúdico, ladino, irreverente
e perspicaz, o palhaço será sempre um dos "seres sociais"
cuja preservação se faz indispensável - em nome de
uma cultura que se queira e entenda como realmente popular.
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AUSONIA BERNARDES MONTEIRO
NEPAA-UNIRIO /Rio de Janeiro
ANEXO
Trecho de entrevista com Gigante, palhaço da Folia "Jornada
da Estrela Guia", de Campo Grande e da Folia "Mangedoura"
de Mangueira, na Favela de Mangueira, ambas na cidade do Rio de Janeiro,
em 29 dezembro de 2001. Gigante tem 63 anos de idade e 49 anos de palhaço.
No momento que nos deslocávamos entre uma casa e outra, no giro
desta noite, contou-nos que estudou em livros de capoeira e karatê,
para saber o nome dos golpes e também ter liberdade de referir-se
em versos, sobre estas lutas. Quando perguntado sobre sua experiência
de treino e conhecimento corporal, para seu trabalho como palhaço
respondeu-nos: "No mês de novembro eu me levanto de manhã
e subo o morro da Penha, saindo lá pela pedreira vou sair em Vicente
Carvalho, e não precisa correr não, é só subir
morro e descer morro........ajuda as juntas das pernas, que conforme a
gente tá andando no plano, o nosso pé tá assim, né,
pra subir às vezes a pessoa tem que fazer isto, levantar o pé,
mas não, eu tenho que subir com o pé no chão certo...dá
impulso...então, se não fizer uma física, no outro
dia não posso nem andar, o mocotó aqui fica todo doendo...assim
não, a gente treinando, andando, fazendo caminhadas, sobe morro,
desce morro, de preferência subir morro, que conforme você
sobe faz isto ô: vai levantando o pé... pelo menos, no outro
dia não sente nada! se não treinar, minha senhora , no outro
dia o camarada fica deitado na cama, tem que botar água quente
com sal, prá desinchar, desinflamar...prá poder andar...conforme
eu fui sentindo, eu tive que fazer alguma coisa, fui descobrindo as coisas
aos poucos, comprei livro de karatê, de capoeira... procurar todas
estas coisas... tem um livro que comprei, quando fui trabalhar, perto
da Rocinha, em São Conrado: vi este livro : "Querer é
Poder"... a gente só tem o direito, mas se não lutar,
você não ganha... tem! mas que tem que ser forte senão,
não vai..."
Outro palhaço, Arlete, com 23 anos
de palhaço, e tendo se vinculado a várias folias da região
de Valença e Rio das Flores, principalmente a "Folia Estrela
da Guia" desse último município, ambos no Estado do
Rio de Janeiro, entrevistado em 6 de janeiro de 2002, sempre fez capoeira
e considera a necessidade de estar muito bem preparado para exercer a
função de mestre palhaço: "Quando o palhaço
se torna mestre dos palhaços, ele tem que conhecer as rezas, tem
que acender uma vela para o anjo de guarda, ir a alguma benzedeira, encomendar
um patuá, uma cruz de Guiné, uma figa, um trevo de 4 folhas,
uma guia de Salomão, ou cordão, que tem em terreiro de macumba,
se não carregar uma proteção na farda, há
que se proteger das encruzilhadas, com muitas oferendas, em altas madrugadas,
e muitos palhaços não sabe se defender, principalmente os
pequenos, e isto atrapalha a jornada. Outras pessoas trabalham com Zé
Pelintra, no centro, e se bobear ele bagunça com o coreto da pessoa,
tem que fazer a firmeza, "ele" pega um caboclo meio abusado
no meio de uma encruzilhada dessa aí e judia dele, ele passa mal,
começa a dar tremelique...e, aí o que acontece ? o mestre
folião encosta pro lado e diz vovô: isto é por sua
conta....o que o mestre palhaço tem q. fazer, é pedir licença
a ele, ao contra mestre, ao bandereiro, de mais a mais está conduzindo
a minha guia, rodando as estradas e pegando coisas pelas estradas, aí
levo lá a bandeira, pego também a minha guia e vou fazer
uma cruz na cabeça dele e benzo ele e peço a proteção
divina para afastar aquilo dele, e de nós , para bem longe... o
mestre palhaço muitas vezes não precisa pular, virar para
traz, fazer muita coisa, às vezes a gente escuta: pô vovô,
você não fez nada... mas tem que ver que ele já pegou
uma coisa pesada, desde que tirou a jornada de 24 /12 da casa do folião
... que botou o pé na estrada...pesa uma barbaridade..."
Chula do palhaço Lua de Prata, da
Folia "Bandeira Esperança" de Cantagalo, município
do Estado do Rio de Janeiro, em 6 de janeiro de 2002: "Ao chegar
neste lugar, eu fiquei maravilhado, vi muitas moças bonitas encontrei
os meus amigos prezados, me chamo Lua de Prata, sou palhaço tarimbado,
ao povo de Duas Barras, meu abraço apertado, aos três Reis
Magos do Oriente, que são santos de verdade, peço proteção
e paz aos povos da humanidade, prá que não deixe chegar
a nós estas tristes barbaridades, é só terrorismo
hoje em dia, que a gente ouve falar, jornais e televisão, só
triste notícia nos dá, eu pergunto ao Deus do céu,
aonde vamos parar, até os Estados Unidos, país considerado
forte, o terrorismo chegou trazendo a sina da morte, derrubando as duas
torres com um meio de transporte, de uma fumaça preta as duas torres
se encheu, por causa da explosão as bases estremeceu, dentro de
poucos minutos as duas torres desceu, hoje eles estão em guerra,
por causa da crueldade, estão no Afeganistão, bombardeando
a cidade, procurando os que estão por trás da perversidade,
eu só peço ao meu bom Deus, que mostre a realidade, para
as autoridades que governam esta cidade, nunca a guerra, fique a paz e
vença a humanidade."
Rio de Janeiro, 15 de junho de 2003
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