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Lais Monteiro
Universidade do Rio de Janeiro (UniRio)
E-mail: laisbm@ig.com.br
"JONGO: Afro-Brazilian performance in the city of Rio de Janeiro"
Quando o foco de estudo é a performance
popular, a dança, a música, os folguedos, as festas têm
importância fundamental, pois são através delas que
se preservam as formas associativas possibilitando a busca ou a manutenção
das identidades grupais e dos sentidos de suas existências. De acordo
com LIGIÉRO (2000), o "estudo da performance cobre uma vasta
área que inclui a análise dos seus diversos elementos componentes,
bem como a sua dinâmica de interação, o seu contexto
histórico e a sua repercussão na cultura popular".
Neste entender, por trás de cada performance popular existe sempre
uma história comunitária; existem tradições
de mestres e mestras, artistas que traduzem em arte a realidade, a história
e o cotidiano de sua gente.
Buscando a interseção das práticas performáticas
populares com os usos e saberes específicos do corpo, o presente
artigo pretende desenvolver uma comunicação sobre uma das
mais ricas heranças culturais deixadas no Brasil pela Diáspora
Africana: o Jongo.
Introdução
Jongo é uma manifestação cultural afro brasileira
de origem Banto que mistura dança de roda, música, canto
e alguns preceitos religiosos, sendo realizada, no Brasil, desde os tempos
da escravidão. Os Bantos foram os primeiros escravos a chegar no
Brasil e são membros da grande família etnolinguísta
dos angolas, congos, cambindas, benguelas e moçambiques. Para uma
melhor configuração de como o Jongo, enquanto prática
performática (com seus gestos, movimentos, ritmos e linguagem),
incorporou-se na dinâmica cultural, seria interessante voltar às
origens dos africanos trazidos como escravos para o Brasil.
Quando os negros aqui chegaram (e não foram poucos: foram três
séculos e meio de regime escravocrata, quando se importaram cerca
de 4 milhões de negros africanos, numa das mais volumosas operações
de transferência forçada de pessoas havidas na História),
vieram também as suas práticas sociais, que o cativeiro
não conseguiu dissolver. Entre essas estavam as músicas,
as danças e a religião, como parte do seu dia-a-dia. Os
negros cantavam, tocavam e dançavam nos navios, nas moradias e
nos trabalhos como forma de manter seus vínculos com a África.
Realizam os rituais como seus ancestrais. Apresentando uma forma própria
de organização e uma maneira diferenciada de se relacionar
com o meio ambiente, os africanos viam o homem como um todo, integrado
pelos deuses, pela terra e pela natureza. Toda a cultura africana é,
portanto, representada nesse universo, em que os valores morais, sociais
e ecológicos são traduzidos por meio da religiosidade, dos
ritos e das artes em geral. Tais valores estão intimamente representados
em suas danças, que são para os povos africanos um potente
elemento de aglutinação social.
Entretanto, as tradições afro aqui desembarcadas não
se mantiveram intactas: em contato com as fortes influências da
cultura européia, - como a língua portuguesa e a religião
católica, para citar dois exemplos mais determinantes - adaptaram-se
ao novo ambiente, dando origem a formas novas. Mescladas, aceitaram novos
temas, instrumentos de origem européia e indígena e, sobretudo,
o português como língua de expressão. As danças
e músicas - junto às outras manifestações
culturais - formaram o complexo que hoje chamamos de "cultura afro-brasileira".
Jongo: fundamentos e conceitos
A manifestação do Jongo pode ser entendida como a mistura
lúdica de linguagens expressivas, ao envolver em sua prática
música, canto, poesia, religiosidade e dança sem uma delimitação
clara entre as fronteiras artísticas e culturais. Considerada pelos
pesquisadores como sendo expressão legítima da cultura e
da diáspora africana em terras brasileiras, a manifestação
do Jongo apresenta grande potencial histórico, artístico,
lúdico e estético.
De origem rural, trazida de Angola (da região do Congo-Angola)
nos tempos da escravidão, o Jongo foi praticado pelos escravos
que vieram trabalhar nas fazendas de café, nos canaviais e na mineração,
no interior dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais,
na época do Brasil colonial. Nos tempos do cativeiro, o Jongo seria
um dos únicos momentos permitidos de trocas e confraternização
entre os escravos, sendo permitido e praticado durante as festas ou nas
vésperas de dias santos católicos; para se descansar no
final de um período de colheitas; para acalmar a revolta e o sofrimento
com a escravidão ou para se distrair nas isoladas fazendas. A cultura
do Jongo é, portanto, oriunda destas relações de
sociabilidade. Dança profana para o divertimento, mas com uma atitude
religiosa permeando sua tradição, o Jongo era uma brincadeira,
uma brincadeira séria. O vocábulo, segundo ARAÚJO
(1964), pode ser traduzido como "diversão".
O Jongo, também chamado de Caxambu devido ao tambor de mesmo nome,
é referência cultural de várias regiões no
Rio de Janeiro e nos Estados do Espírito Santo, São Paulo
e Minas Gerais. Originalmente, o acompanhamento musical da manifestação
é feito exclusivamente por instrumentos de percussão chamados
"tambores de jongo". De origem banto, os tambores são
sagrados pois tem o poder de fazer a comunicação com os
antepassados. "Caxambu" (ou "Tambu") é o nome
do principal instrumento do Jongo, um atabaque de timbre grave usado para
marcar o ritmo. O outro atabaque, de timbre agudo e de tamanho um pouco
menor, é chamado de "Candongueiro". Estes instrumentos
reproduzem ritmos rápidos e vigorosos; são artesanais, confeccionados
da mesma forma que o ensinado por seus ancestrais, passando a tradição
de geração a geração, como herança
familiar. Geralmente, o rufar/batucar dos atabaques incentivam os jongueiros
a buscar seus corpos espirituais, integrando "terra e céu".
Nos tempos do cativeiro, o repicar dos tambores avisava que aquela seria
noite de festa.
A música, no Jongo, é feita para se dançar, para
facilitar os movimentos dos dançantes enquanto o canto tem papel
importante no desafio dos pontos. Suas músicas (ou pontos) versam
sobre os mistérios da tradição e lembranças
de um passado, assim como também têm o poder de alegrar e
apontar para os fatos do cotidiano. O canto tem papel fundamental, e é
de estilo responsorial: é puxado por um solista e respondido pelo
coro. Os pontos de Jongo têm frases curtas, misturando o linguajar
do homem rural ao português com heranças do dialeto de origem
banto - o quimbundo. Os pontos podem ser de abertura ou licença
(Benditos), para iniciar a roda; de louvação, para saudar
o local, um antigo jongueiro ou a audiência; de visaria, para alegrar
a roda; de demanda, porfia ou gurumenta, para desafios e rixas entre jongueiros;
de encante, de feitiço; de encerramento ou despedida, cantado no
encerrar da roda. Porém, é na letra dos pontos que reside
a dificuldade do Jongo, constituindo-se numa espécie de adivinhação
versificada, e que exigem grande perícia e conhecimento para serem
decifrados. Criados originalmente de improviso, os pontos demandavam criatividade,
espontaneidade, ludicidade por parte dos jongueiros, já que era
de costume "emprestar" novos sentidos às palavras, construindo
um vocabulário próprio. Seria através deste linguajar
cifrado que os antigos jongueiros comunicavam-se entre si sem que seus
senhores entendessem o que diziam.
Uma vez afirmado o canto, iniciam a dança que somente pára
quando a pessoa que lançou o ponto (o solista) se aproxima do "Tambu"
e coloca a mão sobre ele e grita: "cachoêra!" ou
"machado!". Estas expressões também são
utilizadas quando outra pessoa deseja lançar um novo ponto. Todos
param a dança na espera do seu recomeço. A forma de se dançar
pode variar um pouco de região para região porém
a constante é a do Jongo ser uma dança de roda, cheia de
cadência e movimento. Sua dança é coletiva e comunitária,
da qual participam homens e mulheres, tendo cada par dançante um
papel único e fundamental. Suas evoluções são
realizadas no centro do círculo, para onde se dirige um casal de
cada vez.
Tradicionalmente, o Jongo é uma dança de roda realizada
à noite em terreiros e quintais, que se movimenta no sentido lunar,
isto é, em sentido contrário aos ponteiros do relógio
(direção característica encontrada nas danças
de roda de origem africana). Dizem os antigos jongueiros que a roda de
Jongo gira ao contrário para estarem mais próximos aos seus
antepassados e que estes, por serem a memória da manifestação,
têm sempre muita coisa para ensinar aos seus descendentes. O Jongo,
portanto, tem essa ligação muito forte com a questão
da ancestralidade, da louvação aos jongueiros mais velhos,
da evocação das almas dos pretos-velhos jongueiros.
Somada aos preceitos religiosos vem todo lado profano da manifestação,
já que Jongo é brincadeira, é diversão em
conjunto aonde uma grande quantidade de pessoas pode participar. Na hierarquia
do Jongo o casal mais velho da comunidade é sempre o primeiro a
iniciar a dança, trazendo a malícia, os requebros e umbigadas
para o centro da roda. Umbigada no dialeto banto quer dizer "semba"
- matriz da expressão "samba" - e é um dos passos
mais tradicionais e característicos da dança do Jongo. Porém,
é preciso salientar que no Jongo, ao contrário de outras
manifestações populares afro-brasileiras, não há
o contato corporal entre os dançantes e sim uma menção
de contato, uma menção de umbigada. De acordo com os antigos
jongueiros, por ser uma dança de umbigada, o Jongo deve ser feito
por casais.
Sua coreografia é convidativa: dispostos na roda, os dançantes
cantam e batem palmas no ritmo das melodias, improvisando evoluções
com movimentos de braços e pernas enquanto ao centro fica o par
solista. Durante a dança, o casal improvisa travando uma comunicação
pelo olhar, que vai determinando o deslocamento pela roda e o momento
da umbigada. Outros pares se aproximam dançando, e um deles toma
o lugar do primeiro, que se afasta do centro da roda sem parar de dançar.
O Jongo não é sapateado, mas sim deslizado: os pés
não batem no solo, arrastam-se ao executar o movimento. Força,
agilidade, ginga e sensualidade são algumas das valências
apresentadas no decorrer da sua execução.
Jongo da Serrinha
Com a abolição da escravatura e com a decadência econômica
das outras regiões do país, a solução encontrada
por parte dos negros africanos e de seus descendentes foi a de migrar
para a cidade do Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades. Começava
assim um outro momento histórico: a formação das
primeiras associações sociais em bairros e pontos específicos
da cidade, os constantes re-alojamentos urbanos, o surgimento das primeiras
favelas. A chegada desta população faz com que mais da metade
da população da cidade fosse formada por negros africanos
e em sua maioria de ascendência banto, tornando o Rio a região
com maior concentração de jongueiros do país. Cultura
criada e mantida sobre fundamentos familiares e de grupos, os núcleos
jongueiros continuavam a dançar o Jongo em seus novos redutos.
Alguns encontraram em Madureira, Zona Norte do Rio, numa favela que batizaram
de Serrinha, local apropriado para se estabelecer, perpetuando ali a tradição.
Por volta de 1930, devido ao estreito contato com a vida urbana, aos novos
modismos e a morte dos jongueiros mais antigos, o Jongo foi aos poucos
desaparecendo dos morros cariocas (como, por exemplo, dos morros do São
Carlos, do Salgueiro, da Mangueira). A Serrinha, por localizar-se na periferia,
conseguiu preservar a cultura afro-brasileira tradicional. Somada à
questão geográfica estava o espírito festivo de seus
moradores. As ladainhas, os blocos de carnaval, os pastoris, os terreiros
de umbanda, o samba de partido alto, o calango e o Jongo foram ficando
famosos e atraindo a visita de intelectuais, políticos, artistas
do outro lado da cidade para o subúrbio de Madureira. Verdadeiros
núcleos de famílias artistas comandavam as festividades,
sendo a família da Vovó Maria Joana Rezadeira (mãe-de-santo
histórica de Madureira) a herdeira da tradição do
Jongo na Serrinha.
A partir da década de 60, preocupados tanto com a morte dos jongueiros
(de sua própria e de outras comunidades) quanto com a extinção
das rodas de Jongo, Vovó Maria Joana e seu filho Mestre Darcy do
Jongo convidam antigos jongueiros para formar o grupo artístico
Jongo Bassam. Esta seria a primeira estratégia para se retomar
as rodas, incentivar a aprendizagem e divulgar a tradição
já que se buscava transformar as antigas e informais rodas de Jongo
em espetáculo, transferindo a manifestação dos quintais
da Serrinha para os palcos da cidade. A outra seria quebrar o tabu que
impedia as crianças de participarem do Jongo , que antes era reservada
só para os mais velhos. Uma segunda e definitiva formação,
foi a do grupo artístico Jongo da Serrinha, fundado em 1975 e também
liderado por Vovó Maria Joana e Mestre Darcy.
Após uma pausa em suas atividades, o grupo artístico renasceu
com força total em 1997, reunindo as crianças vizinhas à
casa da Tia Maria, atual liderança do Jongo da Serrinha. A principal
estratégia do grupo é a criação de espetáculos
artísticos utilizando a cultura afro, além da formação
de jovens professores de dança e música, capacitando-os
profissionalmente e resgatando sua auto-estima. O grupo conta atualmente
com 35 integrantes, dos quais 25 crianças e jovens da comunidade,
que já estão atuando no mercado artístico profissional,
apresentando a tradição Jongo nos palcos dos teatros do
Brasil e do exterior.
Encontro de Jongueiros - Anualmente, o Jongo da Serrinha e as lideranças
de outras comunidades jongueiras organizam o "Encontro de Jongueiros",
evento que a cada ano acontece nas cidades de origem das comunidades rurais
que ainda mantêm viva a tradição. Este evento busca
reunir estas comunidades, identificar outros possíveis núcleos
jongueiros e realizar pesquisas sobre outras formas de se dançar
o Jongo, seus ritos e particularidades. Neste momento, torna-se interessante
apontar para o fato de que, ao entrar em contato com outras comunidades,
algumas características ficam evidentes: cada comunidade tem a
sua particularidade, incorpora o Jongo de uma maneira diferente; portanto,
não existe uma forma exclusiva de se dançar o Jongo. No
caso específico do Jongo da Serrinha suas características
seriam a sua transformação e inovação (como
exemplo: permitir às crianças participar da manifestação;
introduzir os instrumentos harmônicos violão, violão
7 cordas e o cavaquinho no ritmo do Jongo; levar a manifestação
para os palcos da cidade) e o "tabiá" uma pisada forte
com o pé direito.
Jongo da Serrinha e a religiosidade - o Jongo mantém para seus
líderes e personalidades de destaque a fama de feiticeiros, sabedores
de segredos e de poderes mágicos. Notadamente, nas comunidades
aonde se desenvolveu a cultura do Jongo, suas lideranças eram exercidas
por indivíduos respeitados por suas sabedorias e habilidades. Segundo
Dely Monteiro, neta de Vovó Maria Joana (que era líder da
comunidade e "dona" do Jongo da Serrinha, falecida em 1986),
antigamente a manifestação religiosa no Jongo era muito
maior. "Hoje em dia, temos crianças na roda, o que era proibido.
Os mais jovens não podiam entrar na roda e nem espiar de longe.
Espíritos podiam querer se manifestar nas pessoas ou então
um jongueiro podia ficar enfeitiçado se não soubesse decifrar
os enigmas dos pontos lançados. Por isso não era permitido
participar. Exigia-se dedicação e respeito para se ensinar
os segredos ou "mirongas" do Jongo e os fundamentos dos seus
pontos". Como em todas as manifestações de herança
afro, a distância entre o profano e o sagrado, acabava sendo muito
curta e que a religiosidade aparecia embebida na vida cotidiana. No caso
específico do Jongo, alguns preceitos continuam a manter a ligação
da manifestação com aspectos da religiosidade como são
os casos de se benzer os tambores (instrumentos sagrados) antes das festas;
as rezas louvando os ancestrais e por seus cantos que são chamados
de pontos, assim como as músicas religiosas da umbanda e do candomblé.
A partir do Mestre Darcy, retirou-se do Jongo a aura mística, de
dança proibida, de feiticeiros. Dessa forma, a tradição
se transformou: passou a ser dançada a qualquer hora e em espaços
diferenciados, para públicos diversos, o que garantiu a sua transmissão
às novas gerações e tornou-a mais conhecida. No caso
das apresentações do grupo artístico alguns aspectos
são diferenciais: a manifestação tem uma duração
certa para acontecer, o repertório das músicas é
fechado; figurinos e desenhos coreográficos são pré-estabelecidos;
a comunicação acontece entre os jongueiros e uma audiência
plural e não mais só entre os núcleos familiares
e/ou comunitários; não é mais servida comida e bebida
durante sua realização.
Datas Fixas - o Jongo acontecia basicamente nos dias dos santos devotos
da comunidade, nas festas juninas e nos casamentos. Tradicionalmente,
dia de Jongo era dia de festa com muita comida, bebida e animação:
dançava-se o pagode, o arrasta-pé, o calango enquanto eram
esquentados os tambores para se dar início ao Jongo. Atualmente,
além das datas marcadas para as apresentações, a
única data fixa que a comunidade jongueira da Serrinha se reúne
para dançar o Jongo é no dia 13 de Maio, com uma feijoada
na casa da Tia Maria em homenagem aos pretos-velhos, almas santas, donas
do Jongo. Nesses encontros, juntamente com os jongueiros mais antigos,
Tia Maria vai contando histórias da tradição, passando
os pontos mais antigos, revelando segredos e mistérios. Esses encontros
são muito importantes para a preservação da manifestação.
O Jongo e suas influências
A manifestação do Jongo, com seus fundamentos e características,
influenciou fortemente a formação do samba e da música
popular brasileira. Alguns pesquisadores consideram o Jongo como sendo
uma das origens fundamentais do samba, já que influenciou decisivamente
o seu nascimento no Rio de Janeiro.
O samba nasce do início do século XX num caldeirão
em que fervilham modinhas, maxixes, choros, lundus e outras formas musicais.
Herdeiro destes incontáveis ritmos marcados pela negritude e também
pelos estilos de dança de origem afro-brasileira que migraram,
principalmente, do Recôncavo Baiano e do Vale do Paraíba
para os ambientes da cidade, o samba acabou por alcançar a hegemonia
nacional. Seria interessante salientar que no mesmo período em
que ocorre a popularização da manifestação
do samba enquanto gênero cultural, dançava-se muito o Jongo.
Os antigos sambistas da Velha Guarda das Escolas de Samba realizavam rodas
de Jongo em suas casas. Nessas festas, visitavam-se uns aos outros, recebendo
também jongueiros do interior. E foi no berço destas comunidades
que se deu originalmente a fundação das primeiras escolas
de samba enquanto formas culturais associativas, como é o exemplo
da própria Serrinha e a agremiação do Império
Serrano. Ainda hoje, apesar de consagradas em todo país, pode-se
perceber heranças características do Jongo na estrutura
das escolas de samba, tais como: dançarinos seguindo à frente
da ala dos músicos (estes formam a bateria da escola, ala composta
basicamente por instrumentos de percussão, outra característica
semelhante ao Jongo tradicional) e a presença de um "puxador"
que apresenta o samba-enredo enquanto toda escola o acompanha em coro.
O samba de Partido Alto também é originado das rodas de
Jongo. Samba de Partido Alto é aquele que tem um refrão,
cantado por muitas pessoas, enquanto o partideiro vai improvisando os
versos. Como gênero, firmou-se no início do século
XX no Rio de Janeiro, dedicando-se à arte do improviso poético,
em que pontificam a verve, a inteligência e o humor de seus mestres.
São ramos frondosos de uma árvore que cresceu e firmou-se
graças à solidez de suas raízes: a tradição
afro e o culto à memória dos antepassados, marcas inconfundíveis
do Jongo praticado hoje no Brasil.
BIBLIOGRAFIA
ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore Nacional. Festas, Bailados, Mitos
e Lendas. São Paulo: Melhoramentos, 1964.
CABRAL, Sergio, "As Escolas de Samba
do Rio de Janeiro", Editora Lumiar, Rio, 2ª ed., 1992.
COLETIVO DE AUTORES. Cd livro 'Jongo da Serrinha'. Rio de Janero: FUNARJ
e RIOARTE, 2001.
DANÇAS e Folguedos Folclóricos
Brasileiros - apostila da Companhia Folclórica do Rio / UFRJ, 1995.
GANDRA, Edir. Jongo da Serrinha: do terreiro
aos palcos. Rio de Janeiro: GGE - Giorgio Gráfica e Editora / UNI-RIO,
1995.
LIGIÉRO, Zeca. A Performance Afro-ameríndia.
Texto apresentado no 1º Encontro de Performance e Política
das Américas, Rio de Janeiro, 2000.
VALENÇA, Raquel e VALENÇA,.
Suetonio, "Serra, Serrinha, Serrano", Editora Jose Olympio,
Rio, 1981.
PÁGINAS VISITADOS NA REDE
www.jongodaserrinha.org.br
www.jangadabrasil.com.br
www.ivt-rj.net
DOCUMENTAÇÃO PRÓPRIA
EM VHS
'VII Encontro de Jongueiros', Pinheiral,
Fazenda São José, município de Valença (RJ),
novembro de 2002.
'Visita à Serrinha', Rio de Janeiro,
bairro Madureira, fevereiro de 2003.
'Festa na Fazenda São José',
Valença (RJ), maio de 2003.
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