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André Luiz Porfiro
Universidade do Rio de Janeiro - UniRio
Email: aporfiro@aol.com
"Mesmo Proibido, Olhai por Nós"
Desde o seqüestro de africanos para terras sul americanas em fins
do século XVI e início do século XVII suas manifestações
são reprimidas. Os negros em sua criatividade forjaram meios para
a manutenção de sua cultura e religiosidade conseguindo
legar ao Brasil e ao mundo toda a riqueza de seus hábitos intersecionando
com os costumes adquiridos na nova terra. Dessa mistura sincrética
surgiram as manifestações que dão ao mundo a face
do Brasil. O carnaval, o futebol, a violência, a alegria do povo,
a miséria, a fome, a favela.
A opressão do hegemônico contra o manifestar do diferente
segue até os dias de hoje. Uma lei municipal proíbe a utilização
de imagens religiosas nos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.
Tais imagens pertencem ao imaginário popular e sua função
no desfile é a sagração da união das diferenças,
característica primeira do samba e tradução do espírito
do carioca.
O trabalho pretende analisar a relação entre o sagrado e
o profano, as proibições e as estratégias para apresentação
de imagens religiosas nos desfiles carnavalescos da Escola de Samba Beija-Flor
de Nilópolis. A base da pesquisa será o desfile de 1989
, Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia e o trabalho desenvolvido pelo
diretor geral de carnaval, Laíla com a Comissão de Carnaval,
a partir de 1998, com a revalorização das alas da comunidade,
religando a escola com a negritude, inserindo a questão afro-religiosa
no cotidiano da escola e nos desfiles posteriores.
AS ESCOLAS DE SAMBA
Das primeiras manifestações espontâneas até
as grandes Escolas de Samba foi grande o percurso traçado. Passando
pelos Blocos, Ranchos, Cordões, Grandes Sociedades, Clubes Carnavalescos.
Juntando a influência dos afrodescendentes, com os portugueses e
seus descendentes e também com os brasileiros mestiços,
chegou-se a grande festa popular que mostra a face criativa, alegre e
de superação do Brasil, o Desfile das Escolas de Samba do
Rio de Janeiro.
No início do século XX a barreira social dividia a festa.
De um lado os mais abastados, a elite do país, brancos da classe
média alta, aristocratas, ricos fazendeiros, grandes banqueiros,
prósperos comerciantes, fazia o que se denominava "O Grande
Carnaval". Uma passeata que o povo só tinha espaço
como espectador. Os Clubes Carnavalescos e as Grandes Sociedades eram
as organizações que desempenhavam o desfile. Tinham como
características, que depois foram incorporadas as Escolas de Samba,
a beleza dos carros alegóricos, os carros de idéias e os
de crítica, o luxo das fantasias, os fogos de artifício.
Do outro lado havia o "Pequeno Carnaval", termo cunhado na época,
com participação popular. Era realizado pelos Cordões,
Ranchos e Blocos. Essas agremiações legaram o lado afrodescendente
ao surgimento das Escolas de Samba.
Os Cordões se originaram na Festa de Nossa Senhora do Rosário,
realizada nos tempos coloniais e com grande participação
dos negros escravizados. Foi lá que surgiram os Cordões
dos Velhos e o dos Cucumbis, considerados os mais importantes na formação
das Escolas de Samba, pela contribuição integral da cultura
afrodescendente. Donga e João da Bahiana, sambistas tradicionais
participaram de muitos carnavais nos Velhos e Cucumbis.
O Rancho era uma espécie de Cordão mais organizado. Era
possível a presença feminina. Na disposição
do desfile havia um coro para entoar a marcha e coreografias. O porta-estandarte
era obrigatório. Haviam mestres de harmonia, um para o canto, um
para a orquestra e outro para a coreografia. Esses elementos foram incorporados
as Escolas de Samba.
Da união dos Blocos surgiram várias Escolas de Samba do
Rio de Janeiro. A Deixa Falar, considerada a primeira agremiação
a utilizar o título de Escola, originou-se do Bloco Vai Como Pode.
O mesmo Vai Como Pode em junção com o Quem Fala de Nós
Come Mosca e ao Baianinhas de Osvaldo Cruz, transformou-se na Portela.
Para se diferenciar dos blocos, que na ocasião eram perseguidos
pela polícia e não obtinham autorização para
fazerem seus desfiles, Ismael Silva, líder dos sambistas do Estácio,
criou o termo Escola de Samba. Foi uma estratégia para melhorar
as relações com a polícia. A partir daí, obteve
autorização para as rodas de samba no bairro e o desfile
da agora Escola de Samba Deixa Falar.
Posteriormente a Escola de Samba incorporou na sua estrutura de apresentação
tanto o "Grande Carnaval" das elites quanto o "Pequeno
Carnaval" das classes menos favorecidas. Dentro da procissão
carnavalesca se estabeleceu o samba como elemento principal unindo a dança,
a música de percussão - o batuque- e o canto. Criando a
estrutura essencial para o seu desenvolvimento. "O batuque-dança-canto,
essa tríade poderosa, irradia e contagia a todos, entre dançarinos
e espectadores que brincam, todos em atitude indistinta, como se fossem
parte de um todo."·
Com o declínio das Grandes Sociedades, as Escolas de Samba incorporam
do "Grande Carnaval" os luxuosos carros alegóricos ocupados
por fantasias grandiosas e lindas mulheres. Em 1959, inicialmente no Salgueiro,
forja-se a união entre o morro, reduto de afrodescendentes, e o
asfalto, através de artistas visuais da Escola Nacional de Belas
Artes. A inovação coube ao casal Marie Louise e Dirceu Nery.
No ano seguinte juntam-se ao casal Fernando Pamplona, o figurinista Arlindo
Rodrigues e o aderecista Nilton de Sá, completando o quinteto do
Salgueiro. Posteriormente esse grupo foi complementado por Maria Augusta,
Rosa Magalhães e Joãozinho Trinta, ícones contemporâneos
do carnaval.
Em depoimento ao MIS -Museu da Imagem e do Som- Ismael Silva, bamba do
Estácio, que inicialmente cunhou o termo 'Escola de Samba', disse
satisfeito: "Quando é que a gente podia imaginar que aquelas
brincadeiras iam dar nisso? Uma coisa de esquina encher avenida? Hoje
isso não é mais escola. É universidade, é
academia, é faculdade, sei lá! E amanhã é
a formatura do pessoal que estudou o ano inteiro. Colação
de grau, desfile em passarela, festa maior do mundo. Que coisa!..."
A ESCOLA DE SAMBA BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS
Criada em 25 de dezembro de 1948 como Associação Carnavalesca
Beija-Flor, surgiu para ocupar o espaço deixado com a extinção
dos blocos Irineu Perna de Pau e dos Teixeira.
Participou pela primeira vez do desfile oficial das Escolas de Samba em
1954 com o enredo "O Caçador de Esmeraldas" obtendo o
primeiro lugar do grupo II, o que lhe deu o direito de ano seguinte desfilar
entre as grandes escolas. Nesse período já se denominava
Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor.
Nos seus 55 anos de existência a Beija-Flor marcou a história
dos carnavais do Rio de Janeiro. Nos anos de 1976, 1977, 1978 quebrou
a hegemonia de vitórias das grandes escolas ganhando um tricampeonato.
Iniciando daí a sua primeira grande virada nos desfiles.
Com o carnavalesco Joãozinho Trinta realizou uma verdadeira revolução
nos padrões estéticos do desfile. Como afirma Araújo
"Com as arquibancadas cada vez mais altas, as escolas eram vistas
muito do alto, o que obrigou o espetáculo a crescer para cima.
Esse crescimento vertical é o que chamamos de estilo barroco clássico,
que foi lançado em 1976 pela Beija-Flor com o trabalho desenvolvido
por Joãozinho Trinta" . Num processo de adaptação
ao novo estilo as outras agremiações passaram a investir
em grandes e luxuosos carros alegóricos destacando o caráter
visual do desfile.
Em 1989, novamente a Beija-Flor quebra o paradigma de luxo e exuberância,
põe na avenida o enredo "Ratos e Urubus Larguem a Minha Fantasia".
A ascensão do luxo de treze anos atrás foi substituído
pela teatralidade. Grupo de teatro popular como o Tá na Rua e estudantes
da Escola de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro -UniRio- foram escalados
como mendigos em performances permanentes durante todo o desfile. A diretoria
vestida com uniforme de trabalhadores da limpeza pública e num
carro alegórico um Cristo, em meio a mendigos, coberto com plástico
preto, com uma faixa onde se lia "Mesmo Proibido Olhai por Nós",
fazia cair por terra os anos de luxo e apontava para outro aspecto inovador
trazido para os desfiles das Escolas de Samba pela Beija-Flor, a incorporação
de elementos teatrais.
A terceira grande inovação ocorre em 1998: a criação
da Comissão de Carnaval. Com a quebra da hegemonia de vitórias
das quatro grandes Escolas de Samba, Mangueira, Portela, Salgueiro e Império
Serrano, em 1976, a escola de Nilópolis forjou a figura do carnavalesco
como o grande criador do desfile das Escolas de Samba. A Beija-Flor tinha
em seu barracão João Jorge Trinta, que até hoje é
considerado um ícone dos desfiles carnavalescos. A criação
da comissão de carnaval impõe um novo pensar nas relações
de autoria na criação do desfile. Segundo Cabral "coube
a Beija-Flor a mais importante novidade dos últimos anos, que foi
entregar a uma equipe e não a apenas uma pessoa, a responsabilidade
de elaboração do enredo. A impressão que eu tenho
é que, com tal decisão, ocorreu uma redução
de vedetismo em favor do aumento de eficiência" . Uma equipe
dá a sua tradução estética ao espetáculo,
o coletivo passa a ser considerado o criador do enredo. A escola passa
a ser vista como um todo a revalorização da comunidade passa
a ser a tônica. A Ala das Baianas ganha mais notoriedade. A bateria
volta a ter em seus quadros a maioria de componentes de Nilópolis
e cidades vizinhas. As alas de comunidade e alas de afrodescendentes passam
a representar a maioria da escola. Os ensaios de rua voltam com bastante
força e acontecem a cada semana em um bairro da cidade, a quadra
de ensaios retoma seu lugar de ponto de encontro da comunidade, abrigando
em seu interior variados eventos, religando a escola a gente de sua cidade.
LAÇOS ENTRE O SAGRADO E O PROFANO
Desde o seqüestro de africanos para
terras sul americanas em fins do século XVI e início do
século XVII suas manifestações são reprimidas
pelo colonizador. Os negros em sua criatividade forjaram meios para a
manutenção de sua cultura e religiosidade conseguindo legar
ao Brasil e ao mundo toda a riqueza de seus hábitos. Dessa mistura
sincrética, intersecionando hábitos trazidos da África
com os costumes adquiridos na nova terra surgiram às manifestações
que dão ao mundo a face do Brasil.
O samba desde a sua origem percorre caminhos tortuosos para se manter
vivo. No início do século XX era proibido pelas autoridades
policiais de ser tocado na sala da casa das tias Baianas da Praça
XI. Os sambistas se reuniam no quintal, no fundo da residência,
enquanto na sala, como estratégia para afugentar a determinação
policial , tocava-se chorinho, ritmo originado do samba, mas que era permitido.
Os sambistas do início do século passado utilizaram estratégias
parecidas com a dos africanos seqüestrados de sua terra em séculos
anteriores. Aceitando nomes cristãos para deuses africanos mantiveram
sua tradição.
Contemporaneamente o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é
considerado uma das manifestações populares de maior importância
para a visibilidade do Brasil. A união dos diferentes elementos
formadores do povo brasileiro é ressaltada, sendo a predominância
do elemento afrodescendente salientada. Para Machado "o desfile é
uma procissão afro-brasileira em andamento, mais profana para uns,
mais sagrada para outros. As Baianas, duzentas, trezentas, noventa por
cento, são rezaderias, mães de santo, caxambuzeiras, jongueiras,
uma respeitável tradição afro-brasileira. O mestre
sala dança, canta, corteja e protege a porta bandeira com a dança
de Ogum....e com qualquer enredo essas peças não faltam
é aí que se estreitam os laços entre a religiosidade
e a festa popular." A união entre o sagrado e o profano se
dá nas atividades cotidianas da criação carnavalesca,
sendo por vezes explícita, por vezes oculta.. "Dentro do próprio
Barracão acontece de peças não serem desmontadas,
que as Escolas tem uma crença sobre elas. Em todas as superstições,
chamegos, crenças há uma postura religiosa. Só essa
atitude que reverencia o sobrenatural mostra uma estreita relação
entre o folião e a sua escola com a religiosidade. O próprio
Barracão, onde nasce o espetáculo, é uma evidência
de como se une o profano com o sagrado. Das encomendas que são
feitas para a Escola fazer um desfile melhor, aos banhos é uma
relação intima entre o profano e o sagrado... só
que essas coisas não devem ser explicitadas. Eu guardo os meus
princípios eu guardo os meus preceitos" , relata Júlio
Machado, que durante o carnaval se transforma em Xangô do Salgueiro.
PROIBIÇÕES E ESTRATÉGIAS
PARA APRESENTAÇÃO DE IMAGENS RELIGIOSAS NO DESFILE CARNAVALESCO
Apesar de toda importância e respeito
adquiridos pelas Escolas de Samba ainda hoje se faz necessária
à criação de estratégias para a apresentação
de imagens religiosas ligadas ao catolicismo nos seus desfiles. A Beija-Flor
de Nilópolis a partir do final da década de 80 do século
passado começou a sofrer repreensões da Igreja Católica
no desenvolvimento criativo de sua performance. No desfile de 1989 "Ratos
e Urubus Larguem Minha Fantasia" no carro abre-alas, uma escultura
de um Cristo esfarrapado cercado por atores travestidos de mendigos foi
proibida de ser apresentado, na véspera do desfile, pela justiça,
a pedido da Cúria Metropolitana. A Beija-Flor cercada por um lado,
pelo regulamento do desfile que exigia a alegoria por fazer parte da proposta
do enredo, e por outro, pela liminar da justiça, foi obrigada a
criar uma estratégia de apresentação. Cobriu a escultura
do Cristo esfarrapado com plástico preto, deixando transparecer
a sua forma. Transversalmente de um braço a outro uma enorme faixa
trazia a frase "Mesmo Proibido Olhai por Nós". O impacto
da escolha de cobrir o Cristo foi considerado maior do que possivelmente
seria sua apresentação. Simbolicamente o oculto tornou-se
presente e disseminou a imaginação da platéia estupefata
com a performance beija-florina.
No início do século XXI, no desfile do ano de 2002, no enredo,
"O Brasil dá o Ar de sua Graça. De Ícaro a Ruben
Berta: O Ímpeto de Voar" a relação entre a Igreja
Católica e a Beija-Flor foi pautada por situações
contraditórias. Existiam, pela sinopse de enredo, dois carros alegóricos
com imagens religiosas. O primeiro teria uma escultura representando São
Jorge, que pelo sincretismo religioso, na umbanda, é Ogum. O outro
denominado Carro da Paz, que fechava o desfile, traria uma enorme escultura
de Nossa Senhora da Aparecida, padroeira do Brasil. O entendimento em
relação ao primeiro carro foi realizado antes da finalização
do acabamento da alegoria, criando a possibilidade de modificação
sem a alteração do sentido definido pelo enredo. Segundo
Cid Carvalho da comissão de carnaval da Beija-Flor, "a própria
Igreja sugeriu que colocássemos o dragão mais abaixo do
cavalo, meio escondido, assim ficava descaracterizado como imagem de São
Jorge" . Para a platéia de credo católico era a representação
de São Jorge, para a Igreja Católica e umbandistas era Ogum.
Sobre o ultimo carro a intenção era "fazer um pedido
de paz no final do desfile com a imagem de Nossa Senhora, só que
a Igreja proibiu. Foi um pandemônio terrível, aí resolvemos
colocar figura viva. Figura viva não é imagem" , ressalta
Laíla, diretor geral de Carnaval da Beija-Flor. Nossa Senhora da
Aparecida foi representada por mulheres negras da comunidade de Nilópolis.
As mulheres em posição estática contrastavam com
o movimento característico de um desfile de Escola de Samba. Em
momentos predeterminados trocavam de posição dando significações
diferenciadas as suas formas.
No ano de 2003 a polêmica foi maior. Imagens de um ensaio da Beija-Flor
mostrando a performance de um ator como Cristo, armado com um revólver,
assaltando e exterminando uma criança moradora da rua foram veiculados
por uma emissora de televisão. O debate sobre o acontecimento dividiu
opiniões. Numa atitude isolada o prefeito da cidade do Rio de Janeiro
publicou um decreto proibindo a utilização de imagens religiosas
no desfile carnavalesco.
A opressão do hegemônico contra o manifestar do diferente
permanece ainda no século XXI. As proibições saíram
da esfera religiosa e passaram para a esfera pública. Igualmente
como ocorria no início do século passado, autoridades municipais
com ajuda de policiais percorreram, não as casas das tias Baianas
da Praça XI, mas os Barracões das Escolas de Samba para
confiscarem possíveis imagens religiosas. Tais imagens pertencem
ao imaginário popular e sua função no desfile é
a sagração da união das diferenças, característica
primeira do samba e tradução do espírito do carioca.
BIBLIOGRAFIA
ARAÚJO, Hiram. Revista Beija-Flor, Uma Escola de Vida. Rio de Janeiro,
Beija-Flor, 2002.
CABRAL, Sérgio. Revista Beija-Flor, Uma Escola de Vida. Rio de
Janeiro, Beija-Flor, 2002.
CARVALHO, Cid. Depoimento a André Luiz Porfiro (02/05/2003)
ESPILOTRO, Sandra (Org.). História do Samba. Rio de Janeiro, Globo,
1997.
LAÍLA. Depoimento a André Luiz Porfiro (02/05/2003)
LIGIÉRO, Zeca. Performances Processionais Afro-brasileiras. Texto
utilizado no Curso Inventando o Brasil da Universidade do Rio de Janeiro
- Uni-Rio, 2001.
MACHADO, Julio. Depoimento a André Luiz Porfiro (04/04/2003)
MUNIZ JÚNIOR, José. Do Batuque à Escola de Samba.
São Paulo, Símbolo, 1976.
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